PRATICAR YOGA SOZINHO? COMO?
Muitos alunos me perguntam como praticar yoga sozinho. Até que outro dia me vi lendo um artigo muito interessante sobre uma professora de yoga que contava sobre um método que seu aluno usou para criar esse novo hábito na sua vida, meditar ao acordar.
Ela conta que ele sentia uma vontade enorme de praticar por ele mesmo mas que ao mesmo tempo sentia uma grande resistência. Então ele começou tentando conciliar essa duas forças ele deixava sua almofada de meditação pronta para uso todos os dias e ao acordar ele ia até ela e simplesmente a tocava. Ele não estava preocupado com o resultado (que parecia distante...) e sim com o início de um novo padrão de comportamento. E ele foi tocando a almofada disciplinadamente todos os dias...Depois de um tempo ele se permitiu sentar, simplesmente sentar sem se forçar a nada. E assim ele deu mais um passo no seu projeto pessoal, mantendo esse ritmo por algum tempo até que um dia ele naturalmente começou a meditar. Nesse ponto o costume de acordar e ir até ali já estava consolidado no seu dia a dia e para transformá-lo numa prática assídua não foi difícil.
Achei essa história tão interessante que resolvi escrever a respeito, pois todos nós encontramos dificuldades quando temos que fazer alguma mudança em nossa vida seja para quebrar um condicionamento ou criar outro mais saudável. Você pode usar essa técnica em qualquer setor da sua vida procurando sempre se conectar a esse estado interno de não gerar grandes expectativas de já estar no final do processo e sim simplesmente acionando a intenção dessa realização. Cultive o contentamento de estar se permitindo a singela iniciativa e mais nada. Afinal, toda grande mudança precisa de um primeiro movimento.
Uma citação dos Sutras do Yoga de Patañjali também vai reforçar essa ideia:
“Se você tiver aquela paciência e sua mente estiver mais concentrada, o que você fizer será mais perfeito. Se estiver desconcentrado e ansioso por obter resultado, ficará desorientado; nada realizado com a mente perturbada terá qualidade. Assim, não é apenas quanto tempo se pratica e sim com que paciência, com que austeridade e com que qualidade.”
Isso significa que você não precisa se preocupar com o tamanho ou com a complexidade da prática, muito pelo contrário, quanto mais simples no começo melhor. O mais importante nessa fase é você criar o compromisso. Você pode inclusive escolher apenas um dia da semana para isso. Se houver o comprometimento de que durante esse momento escolhido você estará presente, seja no estágio que você estiver, essa já será uma boa parte de sua prática de yoga pois a criação da disciplina, abyassa, é fundamental na vida do yogue. Você pode optar por uma prática de pranayama (técnica respiratória), ou por uma sequencia de ásanas como o surya namaskar (saudação ao sol), por exemplo, ou então por alguns momentos de meditação. Escolha o que te deixar mais a vontade, experimente e veja como você se sente. A prática pessoal é um laboratório onde você tem o privilégio de se conhecer em profundidade, principalmente se você estiver sintonizado com as observâncias do yoga, os yamas e niyamas sem as quais, aliás, a prática perde muito de seu sentido e poder transformador.
O mais importante dessa mensagem toda é que o seu estado mental deve ser desapegado dos resultados ou do final, atente para o processo em si desapegadamente (vairagya) e você verá que de repente ele estará acontecendo. Comece com pouco tempo, bem pouco tempo (minutos), e gradualmente vá crescendo sem esforço. Seu corpo e sua mente vão pedir por mais e então você saberá que está em total sincronia com você mesmo, já em estado de yoga.